Resumo
Neste artigo, buscamos compreender como se dá a relação ancestral entre o grafismo e os padrões matemáticos na identidade, simbologia de proteção e cultura indígena do povo Tuxá, no município de Ibotirama, Bahia. Foi realizado um estudo de caso, com abordagem qualitativa, pautado na autoetnografia sociológica, cuja análise se concentra em dois símbolos do grafismo corporal: o da proteção espiritual e o do território. Os resultados evidenciam que esses grafismos compõem um sistema visual complexo, em que memória, espiritualidade, gênero, cosmologia e padrões matemáticos se entrelaçam em simetrias, repetições e proporções. E que a pintura corporal é compreendida como arquivo visual e como tecnologia simbólica de proteção e reinscrição identitária em meio a disputas territoriais. A pesquisa aponta, ainda, o potencial pedagógico desses padrões para a construção de trilhas investigativas em escolas indígenas, articulando matemática, ciências, história, geografia, cultura e espiritualidade em diálogo com a Etnomatemática.
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