Resumo
Este artigo inscreve-se na América do Sul - Abya Yala - como parte de uma pesquisa em movimento que dialoga com o pensamento ameríndio da América Profunda. A partir de vivências e escutas realizadas junto ao povo Mbyá Guarani, especialmente em territórios do Brasil e da Argentina, busca-se compreender a educação indígena como experiência vivida, enraizada na ancestralidade, na espiritualidade e na relação com o território. A reflexão é mobilizada pelas falas de intelectuais indígenas, que convocam a pensar o valor da existência Guarani e, com ela, a re-existência de memórias e ensinamentos ancestrais. Evidencia-se que, mais do que resistência, trata-se de um processo ativo de recriação cultural, no qual saber, ritualidade e vida cotidiana se entrelaçam. Nesse contexto, a educação não se reduz à escolarização, mas constitui-se como prática integral do viver. Ao tensionar modelos hegemônicos de matriz ocidental, os saberes indígenas abrem possibilidades para o repensar dos fundamentos epistemológicos da educação, apontando para caminhos interculturais baseados na reciprocidade, na escuta e na pluralidade dos modos de conhecer.
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