Representações dos povos indígenas em livros didáticos: deslocamentos, permanências e disputas simbólicas no PNLD 2024
PDF

Palavras-chave

povos indígenas
livros didáticos
estudos culturais

Como Citar

BONIN, Iara Tatiana; KIRCHOF, Edgar Roberto; FIGUEIREDO, Joelma Sá. Representações dos povos indígenas em livros didáticos: deslocamentos, permanências e disputas simbólicas no PNLD 2024. Série-Estudos, Campo Grande, v. 32, n. 72, 2026. DOI: 10.20435/serie-estudos.v32i72.2236. Disponível em: https://serieucdb.emnuvens.com.br/serie-estudos/article/view/2236. Acesso em: 15 set. 2026.

Resumo

O artigo analisa as representações das culturas indígenas em livros didáticos de Língua Portuguesa aprovados no PNLD 2024, à luz dos Estudos Culturais. Considerando o impacto de marcos legais como a Lei nº 11.645/2008, investiga-se em que medida esses materiais incorporam transformações recentes no campo educacional, especialmente no que diz respeito à valorização da diversidade étnico-cultural. O corpus é composto por seis coleções destinadas ao Ensino Fundamental II, com foco nos Manuais do Professor. A análise evidencia um deslocamento significativo nas formas de nomeação, com predominância do termo “indígena” em detrimento de “índio”, indicando alinhamento com diretrizes institucionais e demandas dos movimentos indígenas. Ainda assim, persistem tensões, como a presença residual de nomenclaturas eurocêntricas e representações associadas ao imaginário colonial, bem como processos de folclorização e generalização cultural. A expressão “povos originários”, embora menos frequente, mobiliza sentidos de ancestralidade, territorialidade e direitos coletivos, apontando para uma ampliação semântica relevante. As análises permitiram concluir que as representações analisadas configuram um campo de disputas simbólicas, no qual avanços convivem com permanências, evidenciando limites na construção de abordagens efetivamente interculturais no contexto escolar.

https://doi.org/10.20435/serie-estudos.v32i72.2236
PDF

Referências

BARROS, Fernanda Pinheiro; MARIZ, Luciana; PEREIRA, Camila Sequetto. Metaverso Língua Portuguesa 7° ano: ensino fundamental anos finais. São Paulo: FTD, 2022.

BELTRÃO, Eliana, SANTOS, Lúcia. A conquista da Língua Portuguesa: 7o ano: ensino fundamental: 7º ano. 1. ed. São Paulo: FTD, 2022.

BONIN, Iara Tatiana; GOMES, João Carlos Amilíbia. O que podemos aprender sobre os povos indígenas em apostilas de História/Ensino Médio do Sistema de Ensino Ser. Teoria e Prática da Educação, v. 16, p. 105-116, 2013.

BRASIL. Senado Federal. Manual de comunicação Secretaria de Comunicação Social. Brasília, DF: Senado Federal, 2023.

BRASIL. Lei n. 11.645, de 10 março de 2008. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Presidência da

República, 2008.

CARDOSO, Maurício Alan de Freitas. “Não me chame de ‘índio’” porque esse nome nunca me pertenceu”: abordagens da temática indígena em livros didáticos de Linguagens e Tecnologias do Ensino Médio. 2022. 122f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL (ULBRA), Canoas, 2022.

COSTA, Helouise. Um olhar que aprisiona o outro: o retrato do índio e o papel do fotojornalismo na revista O Cruzeiro. Imagens, Campinas, n. 2, p. 82-91, ago. 1994.

COSTA, Marisa Vorraber. Sobre as contribuições das análises culturais para a formação dos professores do início do século XXI. Educar em Revista, Curitiba, n. 37, p. 129-152, 2010.

DELMANTO, Dileta; CARVALHO, Laiz B. de; CHINAGLIA, Juliana Vegas. Jornadas: novos caminhos: Língua Portuguesa: 7º ano. 1. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2022.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo Demográfico 2022: população e domicílios: primeiros resultados. Rio de Janeiro: IBGE, 2023.

HALL, Stuart. Representation, cultural representations and signifying practices. London: Thousands Oaks; New Delhi: Sage, 1997.

KRENAK, Ailton. As alianças afetivas. Entrevista a Pedro Cesarino. In: Ministério da Cultura. Bienal. Itaú. 32° Bienal de São Paulo: Incerteza Viva. 7 set-11 dez 2016 – Dias de estudo. São Paulo: Bienal São Paulo, 2016.

MARÉS, Carlos. Os povos indígenas e o direito brasileiro. In: MARÉS, Carlos; BERGOLD, Raul Cezar. Os direitos dos povos indígenas no Brasil: desafios no século XXI. Curitiba: Ed. Letra da Lei, 2013. p. 13-34.

MEYER, Dagmar Estermann; PARAÍSO, Marlucy Alves (Org.). Metodologias de pesquisa pós-críticas em educação. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2012.

MUNDURUKU, Daniel. “Posso ser quem você é sem deixar de ser quem eu sou”. In: SESC. Departamento Nacional. Educação em rede: culturas indígenas, diversidade e educação. [volume 7]. Rio de Janeiro: Sesc; Departamento Nacional, 2019.

MUNDURUKU, Daniel. O caráter educativo do movimento indígena brasileiro (1970-1990). São Paulo: Paulinas, 2012.

NELSON, Cary; TREICHLER, Paula A.; GROSSBERG, Lawrence. Estudos culturais: uma introdução. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (Org). Alienígenas na sala de aula: uma introdução aos estudos culturais em educação. 2. ed. Petrópolis: Vozes; 1998. p. 7-38

OLIVEIRA, Teresinha Silva de. Olhares que fazem a" diferença": o índio em livros didáticos e outros artefatos culturais. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 22, p. 25-34, abr. 2003.

PAIVA, Andressa Munique (Org.). Araribá Conecta Português 7º ano: ensino fundamental anos finais. São Paulo: Moderna, 2022.

PERASSOLO, Isadora Pileggi (Org.). Geração Alpha Língua Portuguesa 7º ano: ensino fundamental: anos finais. 4. ed. São Paulo: Edições SM, 2022.

REIS, Maria de Fátima Sousa. Histórias que se contam sobre Povos Indígenas: uma análise de representações em livros didáticos de história do ensino fundamental (4º e 5º ano). 2023. 122f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Canoas, 2023.

LUIS, Aracy Lopes da Silva; GRUPIONI, Donizete Benzi. A temática indígena na escola: novos subsídios para professores de 1° e 2° graus. Brasília, MEC; MARI; UNESCO, 1995.

TELLES, Norma Abreu. Cartografia brasilis, ou, esta história está mal contada. São Paulo: Edições Loyola, 1984.

THOMAS, Mariana Schnorr. O que se pode aprender sobre as artes dos povos indígenas em dois livros didáticos de arte do ensino médio. 2018. 161f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Canoas, 2018.

THOMAS, Mariana Schnorr: BONIN, Iara Tatiana. O que ensinam livros didáticos de Artes do Ensino Médio sobre arte dos povos indígenas. Roteiro, v. 44, p. 1-28, 2019.

TRINCONI, Ana, BERTIN Terezinha, MARCHEZI, Vera. Teláris essencial: Língua Português 7 º ano. São Paulo: Ática, 2022.

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Os involuntários da pátria: elogio do subdesenvolvimento. Caderno de Leituras, [S. l.], v. 65, p. 1-9, 2017.

Creative Commons License
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Copyright (c) 2026 Iara Tatiana Bonin, Edgar Roberto Kirchof, Joelma Sá Figueiredo